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COLETA SELETIVA – Duas décadas de eficácia do modelo “secos e molhados”

COLETA SELETIVA – Duas décadas de eficácia do modelo “secos e molhados”

Na sexta-feira, 1º de julho, o modelo de coleta implantado em Itaúna completa 20 anos

A coleta seletiva de Itaúna vai completar duas décadas desde o seu lançamento em desfile da comunidade pelas ruas da cidade (foto), acontecido no distante primeiro de julho de 2002. Já experimentou momentos de grandes conquistas, como na inauguração do novo galpão, dotado de duas esteiras de separação e toda estrutura necessária à separação do lixo reciclável; ou a contratação da cooperativa de reciclagem para fazer a coleta, sendo remunerada para tanto. Também registrou momentos de destaque nacional e até internacional, como na comemoração do Dia do Meio Ambiente, em solenidade histórica no Congresso Nacional, quando a experiência itaunense foi destaque em sessão conjunta da Câmara e do Senado.

Itaúna já recebeu várias delegações de outros países, além dos quatro cantos do País, para conhecer a sua experiência e foi destaque também em encontro realizado em Brasília, quando as experiências de uma cidade da Itália, de outra cidade de Portugal e a de Itaúna foram apresentadas ao mundo. Hoje, ainda são várias as representações de outras cidades que buscam conhecer e aproveitar um pouco da experiência local, para que seja implantada em suas comunidades.

E o que faz com que esse sucesso permaneça 20 anos depois? “A participação da comunidade itaunense, sem dúvidas”, afirma um dos idealizadores do projeto, jornalista Sérgio Cunha, que, junto ao então diretor do Meio Ambiente de Itaúna, Ralim Mileib, e o ex-prefeito Osmando Pereira da Silva, apostaram na separação através do sistema “secos e molhados”. E ele lembra que “já confundiram o processo, inclusive, com aquele grupo musical. Mas foi uma simplificação do processo de separação e da comunicação, que levou à transformação do hábito dos itaunenses. Separar papel, plástico, vidro, cada um em um recipiente, seria muito trabalhoso, isso seria feito pela Coopert, que já atuava neste processo. E para explicar como deveria ser a separação, optamos pelo simples jogo de palavras ‘seco’ e seu oposto mais conhecido, ‘molhado’. Simples assim”, brincou o jornalista.

Muito trabalho para convencer algumas pessoas

Já Ralim Mileib, que coordenou e atuou diretamente no “trabalho de rua” da implantação da coleta, lembra das dificuldades enfrentadas para convencer algumas pessoas. “No início enfrentamos resistências. Algumas pessoas chegaram a ser até agressivas com a gente, quando batíamos nas portas delas para informar que o lixo só seria recolhido se estivesse separado corretamente. Digo que a coragem que o Osmando teve de definir que seria assim foi fundamental para o sucesso do modelo”, comenta.

As histórias são muitas e o auge do sucesso foi quando a Coopert coletou a média de 630 toneladas ao mês de lixo seco e reaproveitava em torno de 430 toneladas de material reciclável, que era recolocado no mercado. Tanto que a então ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, definiu que o modelo itaunense constaria da lei a ser sancionada pelo então presidente Lula, em 2 de agosto de 2010, a Lei 12.305, que estabeleceu a Política Nacional de Resíduos Sólidos no Brasil. E está lá, no artigo 9º do Decreto 7.404 do mesmo ano, que regulamenta a Lei 12.305: “Art. 9º A coleta seletiva dar-se-á mediante a segregação prévia dos resíduos sólidos, conforme sua constituição ou composição. § 2º O sistema de coleta seletiva será implantado pelo titular do serviço público de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e deverá estabelecer, no mínimo, a separação de resíduos SECOS e ÚMIDOS e, progressivamente, ser estendido à separação dos resíduos secos em suas parcelas específicas, segundo metas estabelecidas nos respectivos planos”.

“Algum técnico mudou de ‘molhado’, para ‘úmido’, apesar de a primeira palavra ser de mais rápida assimilação e de maior apelo comunicacional”, registra Sérgio Cunha, para lembrar que Itaúna já aplicava no município o que se tornou lei de caráter nacional e que ainda precisa ser implantada em todo o País, que tem cerca de 30% dos municípios com coleta seletiva e reaproveita menos de 5% do lixo gerado. Hoje a Coopert reaproveita média de 230 toneladas de material reciclável por mês, apesar de o poder público investir muito pouco na divulgação da coleta, se limitando às redes sociais e em algumas ocasiões, a públicos específicos. Porém os 20 anos de existência da coleta seletiva de Itaúna a torna no mais longevo projeto do País, nesta área, sem dúvida.

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